Olho nelas! 05/03/2012
Obstinada com a ideia de ser uma frila que escreve perfis – e só perfis (ou quase...) – recusei uma pauta sobre educação oferecida por uma editora querida. Na resposta, expliquei meus novos planos e logo veio outra mensagem: “Eita! Vc agora só vai trabalhar para a Piauí, rs?”. Será que a grande dificuldade de quem escolhe escrever perfis é encontrar onde publicar esse tipo de texto? Há todo o blá-blá-blá, já conhecido, de que hoje em dia não há mais espaço na mídia para perfis, que bons eram os tempos da Cruzeiro e da Realidade. Tudo bem, os anos áureos passaram. Mas defendo a tese de que o perfil é como uma matéria qualquer: se tiver gancho e a história for boa, nenhum jornal ou revista vai recusar. E não faltam exemplos desses casos. Hoje mesmo uma amiga que trabalha no Último Segundo (iG) publicou a história de uma professora que teve alunos premiados em todas as sete edições das Olimpíadas Brasileiras de Matemática para Escolas Públicas. A sacada foi comparar as listas de todos os anos e ver se havia professores recorrentes. Valeu um perfil – e uma história boa de ser contada. Caso único? Não. Há pouco tempo me deparei com outro desses achados. Uma repórter da Época teve senso de oportunidade e escreveu a matéria “Onde bate o coração de Eloá”, sobre a vida da paraense que recebeu o órgão da menina assassinada pelo ex-namorado. Foi no dia do julgamento. Acredito que não falta espaço ou linha editorial aberta à publicação de perfis e sim boas pautas. Por isso, se quer escrever perfis, olho nelas: as oportunidades! Add Comment 'Perfis prontos e coloridos para o Orkut' 18/01/2012
Um dia tomei coragem e assumi que escrever só perfis é o que mais quero. Aí comecei a ir atrás disso. O primeiro passo, claro, foi consultar o oráculo de nosso tempo – o Google – para ter uma visão geral do que se tem escrito sobre perfis hoje em dia. Quando digitei a palavra “perfil” veio uma avalanche de resultados. Fiquei toda animada. Durou dois segundos. Foi só percorrer as primeiras páginas de busca para descobrir do que se tratava: “perfis prontos e coloridos para o Orkut”, “tipos de perfis no Twitter”, “perfis criativos no Facebook”. Migrei para o Google Acadêmico em busca de artigos. Aí encontrei links para o “perfil antropométrico da população idosa brasileira”, o “perfil da automedicação no país”, o “perfil da discriminação no mercado de trabalho”... Quase nada sobre o bom e velho perfil que eu procurava: aquele que descreve uma pessoa, um lugar ou mesmo uma época. A ideia de criar o blog “Perfilando” veio depois desta busca frustrada. Fui atrás de referências a respeito e, pelo visto, há poucas publicações voltadas para esse gênero. Cada livro, artigo ou link que encontro considero um achado! Parece que os perfis – e os estudos sobre eles – ficaram lá atrás, nas já amareladas páginas de revistas como Cruzeiro, Manchete e Realidade. Escrever o “Perfilando”, com um post semanal, vai me estimular a calçar as botas e entrar no garimpo à procura de informações e dicas sobre perfis. Também pode vir a me colocar em contato com outros interessados – você, talvez? – que abram portas ou, quem sabe, um mundo inteiro que ainda olho apenas pelas frestas. A propósito, aí vai a primeira dica: O site Texto Vivo tem uma seção dedicada somente a perfis. Há dezenas de textos, grande parte deles escritos por jornalistas que fizeram pós-graduação em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. O espaço está aberto para a publicação de perfis escritos por qualquer interessado. | Patrícia Pereira
Jornalista, adepta do estilo freela de ser, que resolveu se dedicar à escrita de perfis ● Arquivo● Temáticas
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