Arthur Aguiar - (Leia a versão publicada na revista Capricho)
Nadar, nadar, nadar. Essa foi a rotina de Arthur Aguiar desde que nasceu até os 19 anos. Verdade! Ele conta que entrou na natação ainda bebê e, aos 6 anos, já era federado. Treinos, competições, medalhas, vida de atleta. Mas aí o acaso entrou em ação e mudou tudo na vida do garoto. Bastou um esbarrão na calçada com o ator Antônio Firmino para Arthur trocar a piscina pelos palcos e rapidinho ir parar na telinha da nossa TV. A gente conta como foi.
Arthur estava andando com uma amiga na rua Voluntários da Pátria, no Rio, quando parou na mesma calçada que Antônio Firmino. Eles nem se conheciam. Do nada, Firmino perguntou se Arthur era ator e disse que estava precisando de alguém igual a ele pra fazer parte do elenco de um espetáculo que iria ajudar a montar. Arthur disse que não era ator, mas que até tinha certa vontade de ser. Firmino pediu que ele anotasse um número de telefone e disse pra ligar. Arthur guardou o número e pensou em talvez ligar mais tarde. A amiga, empolgadíssima, fez Arthur telefonar no instante seguinte, ainda ali na rua. Quem atendeu foi um produtor. Aí a coincidência, mais uma vez, entrou em ação. Era do curso de teatro do ator Felipe Martins, que ficava na mesma rua onde estava Arthur! Ele perguntou se Arthur não queria ir lá conversar. Foi e recebeu o convite para participar do curso porque a peça realmente seria montada no final do ano. “Eu disse que nunca tinha feito nada e estava sem dinheiro para fazer o curso. Ele me deu uma bolsa”, lembra Arthur. Que garoto de sorte! Fez o curso e acabou fazendo parte do espetáculo.
Logo precisou largar os treinos na natação. Não tinha mais tempo pra nada. Os pais, preocupados, não apoiaram Arthur logo de cara. “Achavam que era maluquice, que eu estava trocando a natação, que era algo mais certo, por uma coisa totalmente incerta. Eu havia acabado de voltar de um campeonato brasileiro e tinha sido vice-campeão. Havia acabado de nadar um estadual e ganhado sete medalhas”, diz Arthur. A mãe, Kátia Aguiar, diz que pra ela foi uma surpresa porque o filho, na escola, nunca quis nem participar de apresentações de dança ou de teatro. “Ele não se interessava por essas coisas”, conta Kátia. Ela, que é professora de Educação Física e dá aulas de natação, diz que não ficou chateada, apenas preocupada porque ele estava deixando algo que era muito bom na vida dele.
A carreira foi meteórica: em três anos, Arthur fez sete espetáculos de teatro, um filme, várias participações na Globo, uma série no Multishow [Bicicleta e Melancia, que também teve Sophia Abrahão no elenco] e está fazendo o primeiro papel como protagonista em uma novela. Ele chegou a atuar em três peças ao mesmo tempo, tendo que se apresentar nos palcos de segunda a segunda!
Mas, se formos buscar lá longe, o Arthur não era tão distante assim do mundo das artes. Ele aprendeu a tocar violão sozinho, vendo outras pessoas tocarem. Começou com 14 anos e com 18 passou a compor. Ele não tem muitos planos de compor para Rebeldes porque as músicas da banda não têm o mesmo estilo que ele costuma escrever. “Sou um cara de estilo meio esquisito. Gosto de ouvir Cazuza, Legião Urbana, não curto muito as bandas de agora. Ouço, mas não são as minha preferidas”, diz Arthur. Do repertório internacional, faz a linha Jack Johnson, John Mayer. Algo assim, bem tranquilo. Arthur tem esse jeitinho leve. “Já fui mais agitado, estou ficando velho, dei uma sossegada”, conta. A mãe entrega que quando era criança Arthur era super ativo. “Não era quietinho na escola, era de conversar muito na sala, mas eu não podia nem repreendê-lo porque o boletim era sempre azul”, diz Kátia. Ao contrário de seu personagem, o Diego, que tem notas nada boas. As diferenças não param por aí. Como foi atleta por muitos anos e sempre teve uma vida muito regrada, Arthur não é de beber. “Se disser que não bebo nunca vou estar mentindo, mas não tenho o hábito. Se tiver que escolher entre beber ou sair de carro, prefiro dirigir. Posso ser o motorista da rodada”, diz.
Por falar em diferenças e semelhanças entre ator e personagem...será que ele está namorando a Lua Blanco [que interpreta a Roberta em Rebelde] como dizem por aí? Perguntamos isso e ele e a resposta foi: “Se eu estou namorando...[risos] Tô bem, tô bem...” Humm, a gente sabe! Nos intervalos da gravação, flagramos muitos chamegos disfarçados.
Fora dos estúdios, Arthur encontra um tempinho para jogar bola. “Estou jogando toda semana, terça e quinta. Jogo um futebol com a galera aqui da novela: câmera, contra-regra, todo mundo. E outro com meus amigos”, conta Arthur. Ele diz que gostaria de malhar, nadar, correr, mas que não tem mais tempo e, com o futebol, procura manter a forma.
A falta de tempo de Arthur também é sentida pela mãe. Ele, que sempre morou com ela e com o irmão mais novo, agora mora sozinho em um apartamento mais próximo da Record. “Agora está mais difícil de ver meu filho. Já aconteceu de ele viajar no final de semana [para gravar o CD de Rebeldes] pra voltar no domingo à noite e passar lá em casa às duas da manhã só pra me ver”, diz Kátia. Que fofo! A resistência inicial da mãe à carreira de ator? Ele tirou de letra: “Consegui quebrar a minha mãe no primeiro espetáculo. Ela gostou”, diz Arthur. E, pelo visto, ela se tornou a fã número um: “Não imaginei que faria esse sucesso todo de forma tão rápida. Quando foi chamado para Rebelde e estourou, fiquei feliz e orgulhosa”, diz Kátia, a mãe coruja.