Chay Suede - (Leia a versão publicada na revista Capricho)
Chay Suede, 19 anos, nunca havia pensado em ser ator antes de viver o Tomás, em Rebelde. Ele vem de outro mundo: o da música. E, mesmo assim, achava que teria uma profissão qualquer e a música como hobby. Com 16 anos, começou a tocar violão, mas não tinha coragem de cantar – era muito tímido, coitado! As coisas foram mudando quando começou a compor porque aí era obrigado a cantar as letras que escrevia. “Me sentia melhor compondo do que fazendo qualquer outra coisa. Mas era algo extremamente íntimo, feito dentro de casa”, diz Chay.O pai, Roobertchay (aliás, esse também é o nome verdadeiro de Chay, mas ele nunca foi chamado assim), é músico e conta que quando o filho tinha uns 6 ou 7 anos, estava gravando um CD e colocou Chay para cantar uma das faixas com ele. Foi um sucesso! “Ficou muito gostoso de ouvir, a voz rouca mas ele era bem afinadinho. Todo mundo sempre falava desta musica em especial”, lembra Roobertchay. Foram os primeiros indícios de sua veia artística. À vontade, Chay puxou o microfone e ficou cantando.Mais tarde, já na adolescência, formou uma banda com os amigos. Tudo muito improvisado. Caio Flores, amigo de Chay desde que tinham 6 anos, fazia parte da Itatiaia Dreams, nome que deram à banda. Ele lembra que decidiram participar de um festival de música, mas só tinham a vontade, faltavam pessoas para tocar com eles e a música gravada. Fizeram tudo às pressas, o guitarrista faltou, deu muita coisa errada, mas a apresentação foi mágica: eles ganharam o festival com a canção composta por eles.
O pai, apostando no talento de Chay depois de vê-lo cantar e tocar no festival, insistiu para que ele se inscrevesse no processo de seleção do programa Ídolos, que buscava novos talentos da música. Os dois, que moravam em Vitória, estavam por acaso no Rio de Janeiro no último dia de inscrição do programa. Chay relutou muito, disse ao pai que não teria chances porque não estava preparado para disputar com profissionais. Roobertchay bateu o pé e acabou levando Chay até a porta do shopping onde estavam sendo feitas as inscrições. Chay se inscreveu e, no dia seguinte, já foi fazer a primeira audição. “Quando me aprovaram, foi o momento mais emocionante da minha vida”, lembra Chay. Ele conta que ter passado nesta primeira fase foi a quebra de sua vida em duas partes: antes e depois do teste. “Pensei: puxa, agora eu sei que vai. E desde que passei daí, nada de errado aconteceu, só coisas boas”, diz Chay. Em Ídolos, ele foi passando de fases e nem acreditava. Só foi eliminado quando restavam apenas outros três concorrentes. Mas aí ele já havia sido chamado para fazer testes para Rebelde. “Ser ator nunca tinha nem passado pela minha cabeça. Fiz o teste para Rebelde e passei, não sei como”, conta rindo Chay.
Ele lembra que as oficinas que prepararam os protagonistas para a novela foram essenciais a ele, em especial as oficinas de expressão corporal e de interpretação. “Se não fosse pelas oficinas eu iria ficar muito mais limitado do que fiquei inicialmente. Eu tinha muita vergonha, era muito tímido em frente às câmeras, não me sentia confortável. Hoje em dia eu me sinto ótimo”, diz Chay. Ele abraçou a carreira e sabe que quer ser um artista, seja músico, ator ou o que for nesta área. “Não estranhem se amanhã eu estiver pintando um quadro”, diz rindo.
Apesar de não ter sido nada estudioso na escola e de ter feito muita bagunça - “fui dos mais bagunceiros”, diz -, ele gosta de estudar e pensa em fazer cursos de todos os assuntos que lhe interessam: Cinema, Fotografia, Luz, Figurino. “Quero aprender de tudo um pouco”, diz.
Chay nasceu em Vila Velha, cidade que fica ao lado de Vitória, e tem uma família grande: é o mais velho de seis irmãos. Todos ainda moram lá, Chay se mudou sozinho para São Paulo e depois para o Rio de Janeiro. Mora na Barra da Tijuca e adora a cidade, mas sente falta dos amigos e da família. Apesar de estar longe, não perdeu o contato: vive ao telefone com os amigos e sempre que vai a Vitória faz questão de encontrá-los [peço, no final da entrevista, o telefone de um amigo e ele me diz de cabeça – o do pai ele tem anotado].
Ele gosta de praia, mas vazia, sem ninguém. “Não curto aquele rito de ir à praia com aquele tanto de gente, um monte de barracas, nego correndo, gritando 'olha o picolé'”, explica. No Rio, ainda não tem uma preferida porque nem conseguiu tempo para ir à praia. Ele grava de segunda a sábado, de 12 a 14 horas por dia. O tempo que sobra, dorme. Ah, e também fica com a Sophia Abrahão, sua namorada desde o início das oficinas de preparação para a novela. “Já tive minha fase mulherengo, de ficar, mas em relação a isso sou bem diferente do Tomás. Nunca fui de namorar muito, mas acho que é tudo questão de fase”, diz Chay. Ele conta que Sophia conheceu sua família e que seus irmãos ficam loucos e dizem que ela parece uma princesa.
Chay conta que é muito caseiro: “Por mim, fico em casa, assistindo a um filme, tocando violão ou escrevendo. Eu sou muito de ambientes internos, não muito de ambientes externos.” Além de tocar violão, Chay toca baixo, guitarra, gaita e também ukulelê, um instrumento havaiano. Diz que sua maior influência, não só musical como também ideológica, é Caetano Veloso. Em sua lista de preferidos também entram os Novos Baianos, os Mutantes, Chico Buarque, Roberto Carlos e toda a galera da Jovem Guarda, e bandas mais atuais, como Cachorro Grande. Do cenário internacional, Chay curte Beatles (assim como Tomás, seu personagem), Queen, Green Dance, Strokes e Vampire Weekend, que começou a ouvir há pouco tempo.
Em comum com Tomás, além do gosto por Beatles, Chay tem a simpatia. “Ele tem extremo bom humor, é de bem com a vida. Não conheço uma pessoa que não goste dele. Aquele cara todo solto da novela é totalmente ele, o Chay é muito parecido com seu personagem, vive 'de boa'”, diz Caio, o melhor amigo.