Lua Blanco - (Leia versão publicada na revista Capricho)
A história de Lua Blanco, 24 anos, parece um roteiro de novela, de tão incrível! Pra começar, na família são seis irmãos: Pedro Sol, Lua Blanco, Ana Terra, Estrela Blanco, Daniel Céu e Marisol – do mais velho para o mais novo. Os pais, Billy Blanco Júnior e Maria Cláudia Blanco, montaram uma banda junto com os seis filhos, a Família Blanco, e eles viviam viajando por aí pra se apresentar. Pois é, Lua cresceu no palco, perambulando pelo mundo. No repertório, flashbacks internacionais e um pouco de Bossa Nova, coisa de seu avô. Quem é o avô dela? Nada menos que Billy Blanco, um dos precursores da Bossa Nova, que teve parceiros como Tom Jobim e João Gilberto. Com esse histórico, não dava pra Lua ter uma vida comum, né? E não foi.
Quando criança, lembra que não assistia a televisão. “Fui ver Chaves pela primeira vez quando já era adolescente. Não sabia nada de Xuxa e essas coisas”, diz Lua. Pra completar, ela e os irmãos foram alfabetizados em inglês. “Aprendi português por volta dos 10 anos. Aí sempre tive essa junção de línguas, uma bagunça na minha cabeça”, conta Lua. Por conta disso, na escola era muito zoada. As pessoas não entendiam por que às vezes Lua conversava em inglês com a irmã e nem por que ela não entendia muita coisa do que diziam – Lua boiava em alguns assuntos porque não via TV. “Eu era aquela popular estranha”, conta rindo Lua. Ah, popular, sempre, sempre. A mãe diz que Lua se preocupava mais com o lado social da escola, com os amigos – que sempre foram muitos –, do que com os estudos. As notas eram mais ou menos, ali, na média, sabe? Lua lembra que quando criança foi muito bagunceira. “Minha fase mais rebelde foi quando tive 6, 7 anos. Eu era uma pestinha. Depois fiquei mais tranquila”, confessa Lua. A mãe concorda: “Foi uma época em que morávamos no Peru. Ela era terrível”, diz Maria Cláudia.
Se na escola era uma aluna regular, isso mudou na faculdade. Lua fez Letras, na PUC-Rio. “Ela me surpreendeu. Foi excelente aluna, gostava do que estava estudando”, diz a mãe. Foi na PUC-Rio que conheceu os que são hoje seus melhores amigos: o pessoal com quem montou a banda Lágrima Flor [o nome do grupo vem do título de uma música de seu avô] e se encontrou como cantora. A voz, mais forte, não caía muito bem com Bossa Nova. Lua sentiu-se mais à vontade cantando pop rock. “ Vi que tinha mais a ver comigo e foi uma forma de me encontrar como cantora fora do núcleo familiar”, diz Lua. “Na banda, ela é a pessoa que sobe no palco, esquece a letra, ri e conquista a galera. Dança de um jeito que não tem a ver com o ritmo da música, mas é o jeito dela. Fica dando pulinhos”, entrega a amiga de faculdade e de banda Carol Cabral [baixista da Lágrima Flor], 25 anos. Lua também passou a compor, em parceria com André Sigaud, guitarrista da banda. Lua conta que com a Lágrima Flor fizeram muito show de graça e tocaram em todos os buracos da cidade. Mas ela se divertia. Amava! O grupo estava gravando o primeiro CD quando Lua foi escolhida para fazer parte de Rebelde. “Tive que dar um tempo na banda, não iria dar pra conciliar. Sei que foi a escolha certa porque estou passando por um aprendizado pelo qual precisava passar”, diz Lua.
Música por todos os lados. Ela cresceu neste meio. O lado atriz veio mais tarde. Foi quando estava no meio da faculdade que Lua decidiu que queria trabalhar e ser mais independente. Surgiu então a chance de fazer uma novela. A vaga era para elenco de apoio em Três Irmãs, uma coisa pequena. Ela gostou e decidiu estudar mais interpretação e ir atrás da carreira de atriz. Se matriculou no curso de teatro, do Daniel Herz, na Casa de Cultura Laura Alvim, e por lá ficou por um ano. “Me apaixonei pelo teatro, por interpretação e descobri que queria muito fazer isso. Amei tanto quanto cantar. Não entendia como não havia feito isso antes”, diz Lua. Ela fez duas participações em Malhação, chegou a apresentar TV Globinho e participar da Turma do Didi. Também foi convidada para fazer o musical O Despertar da Primavera. Interpretar e cantar, como gosta. Foi então que surgiu a chance de fazer a Roberta, de Rebelde.
Carol diz que Lua é muito parecida com sua personagem: “Vi alguns capítulos e achei muito a Lua. Vejo ela na Roberta – não leva desaforo pra casa, resolve cara a cara”. Lua admite que sim, tem muito a ver com sua personagem. “Temos em comum a personalidade forte, o lado explosivo, a teimosa, ser cabeça dura, querer defender os outros. Também sou muito inconformada com injustiça, com incompetência e questiono tudo. Se entendo algo vou me adaptar mas, se não entendo, vou confrontar até a morte”, diz Lua. Parecida com alguém que vocês conhecem da TV? Além disso tudo, andam dizendo por aí que há mais semelhanças: a Lua estaria namorando o Arthur, assim como a Roberta faz um casalzinho fofo com o Diego. Será verdade? “Declaro, desde o início, que não gosto de falar da minha vida pessoal. Tenho uma vida pública, mas ninguém saberá quando eu namorar ou não [risos]. Finja que você não fez essa pergunta. Elimina, elimina... [risos]”, foge Lua. Digo que está todo mundo comentando... “É tudo especulação, jamais confirmei nada”, diz Lua. Mas ela comenta que seu maior sonho é ser mãe e ter uma família, talvez não tão grande quanto a sua.