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Micael Borges -  (Leia versão publicada na revista Capricho)

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Micael Borges, 22 anos, chegou para gravar no sítio Lajedo – onde são rodadas as cenas que se passam na parte externa do colégio Elite Way – e não teve como despistar as fãs que o aguardavam no portão: elas foram ao delírio! É assim todos os dias. É que Micael vem do Vidigal, favela carioca onde mora, até a Record ou às outras locações da novela de um jeito que lembra bastante o seu personagem em Rebelde: de moto, uma paixão do ator.Aliás, a moto foi uma de suas primeiras rebeldias. A mãe, Antônia de Farias Borges, conta que não deixava o filho comprar uma moto, um sonho que Micael tinha desde os 16 anos, por achar muito perigoso. Um belo dia, logo depois de fazer 18 anos, Antônia estava em casa e ligaram de uma concessionária para dizer a ela que o filho havia comprado uma moto e perguntar se ela estava de acordo. “Fiquei surpresa. Eu não sabia de nada, mas fiquei sem graça e disse que estava de acordo”, conta a mãe de Micael. Quando ele chegou em casa mais tarde – “com aquela carinha”, diz Antônia –, a mãe perguntou se ele tinha algo pra contar. “Ele disse que não. Aí eu perguntei da moto e ele quis saber quem havia me contado”, lembra Antônia. A mãe, resignada, nem brigou com Micael, só pediu a ele pra tomar cuidado.Micael decide seus próprios rumos desde muito cedo. Ainda criança, com 6 anos, foi fazer parte do Grupo de Teatro Nós do Morro, na comunidade onde mora, e nunca mais saiu de lá – ele faz parte do casting de atores do grupo, que dá todo o apoio para seus alunos. Micael é de uma geração do Nós do Morro que fez muito sucesso: junto com ele estão, por exemplo, Thiago Martins [ator que interpreta o Vicente na novela Insensato Coração, da Globo] e Jonathan Haagensen. Ainda criança, participou de todo o processo que preparou o elenco do filme Cidade de Deus (2002), do qual participou como ator. No cinema, Micael também fez os filmes Copacabana (2001), As Alegres Comadres (2003) e Irmãos de Fé (2004). Na TV, Micael estreou em um episódio de Brava Gente, na Globo, em 2002. Depois disso, não parou mais. Fez várias participações na Globo, foi o Rafa, do Alô Vídeo Escola, no canal Futura, e ganhou o papel de Juliano, na novela Caminhos do Coração (2007), da Record. A fama veio mesmo quando interpretou Luciano, em 2009, como o primeiro protagonista negro de Malhação.Segundo Micael, a fama não alterou seu jeito de ser: “Venho da comunidade, moro no Vidigal ainda, o glamour não é tão presente pra mim. Saio da Record e daqui a pouco estou no Vidigal de chinelo, sem camisa, andando de moto. Solto pipa até hoje”, disse à Capricho no lançamento da novela Rebelde. Aos 18 anos, ele decidiu ir morar sozinho e comprou um apartamento no Vidigal. É um duplex, com vista para o mar. De seu apartamento dá pra ver da praia do Leblon até o Leme. “Minhas raízes, minha família e o Nós do Morro estão no Vidigal. É o lugar onde cresci”, diz Micael. Mora só, mas perto da família. “Eu o vejo todo dia. Agora está mais difícil por causa das gravações da novela, mas ele sempre vem aqui jantar”, diz a mãe. O prato preferido? Arroz, feijão e bife. “Pra batata frita ele não liga muito”, conta Antônia. Ela diz que o filho é super preocupado com a alimentação e só gosta de comer alimentos saudáveis, nada de pratos gordurosos.Fora isso, sua vaidade é com o corpo. “Pra roupas ele nem liga, é todo largado”, diz a mãe. Ele malha, joga bola e é surfista. “Gosto de praticar esportes. É a maneira que tenho de extravasar no pouco tempo livre que tem me sobrado”, diz Micael, que também costuma passar as horas de folga com os amigos e com a família. Um de seus exemplos a seguir, aliás, é o pai, Jorge Borges, a quem Micael considera um guerreiro: “Foi ele quem me deu meus princípios, minha noção de vida. Com meu pai aprendi a ser homem, a ter caráter”, diz. Uma segunda pessoa em quem se espelha é Guti Fraga, o fundador do grupo Nós do Morro: “Com o Guti aprendi a ser um profissional. Tudo o que sei de arte vem dele”, diz Micael.

Micael namorava há mais de seis anos, até o início das gravações de Rebelde, uma menina que também mora no Vidigal, mas há pouco tempo Micael decidiu não falar mais de sua vida pessoal, sem deixar claro se continuam juntos ou se terminaram o namoro.

Além de ator, Micael é músico. Ele toca violão – aprendeu com 8 anos – e canta. “Desde pequeno disse pra minha mãe que queria tocar violão e ela me deu a maior força. Depois passei a compor”, diz Micael, que já teve uma banda chamada Guerreiros de Jorge, em que tocava, cantava e compunha. O grupo não deu muito certo, mas Micael continuou no mundo da música com outra banda: a Melanina Carioca. Essa surgiu lá mesmo no Vidigal, em 2009, em uma festa para receber o ator Jonathan Haagensen que havia sido eliminado do reality show A Fazenda. Três bandas – Pegada da Malásia, Família Luk e Linda Flor – tocaram na chegada do ator. Deu tão certo que elas se fundiram e formaram a Melanina Carioca, banda que toca hip-hop, pop e rap e tem cerca de 20 integrantes. Micael precisou de afastar do grupo para fazer a novela Rebelde, mas de vez em quando se apresenta com a banda.

Pra viver o Pedro, de Rebelde, Micael levou um pouco de si: os dois têm em comum o fato de prezar a família e o jeito romântico, diz o ator. Mas precisou deixar para trás o piercing que tinha no nariz. Além desse, ele tem outro na orelha e oito tatuagens. “Acho que meu lado rebelde é esse. Fiz minha primeira tatuagem sem a minha mãe deixar. É uma rebeldia ajuizada”, disse na época do lançamento da novela. Fez a primeira, a segunda, a terceira e todas as outras tatuagens sem o consentimento da mãe, que não gosta. Ela só ficou feliz com uma delas: “Era um dia das mães e ele chegou em casa já tarde, eu estava deitada. Aí me mostrou a tatuagem e eu reclamei. 'Mais uma! Pelo amor de Deus' Foi então que ele me disse para olhar direito e vi que era o meu nome escrito, uma homenagem pra mim”, conta Antônia.


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