Reservado - (Leia versão publicada na revista Nova)
Do tipo bonito e desencanado, Marco Pigossi diz ser tímido. Mesmo assim, garante que não se importa com o assédio. Melhor, até dá corda. É que o ator gosta de saber o que acham de seu trabalho. Pode pedir mesa para dois!
Mais um rostinho bonito sim – e como! Difícil não reparar em seus olhos verdes e traços perfeitos. Mas Marco Pigossi, 22 anos, está longe de ser só isso. Aliás, ele nem gosta de tirar fotos. Ele é, antes de tudo, um ator que veio do teatro. “O teatro é tão a minha vida, o palco é tão a minha casa...”, insistiu Pigossi, querendo usar a imagem de uma plateia, quando pedimos para escolher quatro fotos que retratassem um dia na vida dele. E é daqueles que gostam de estudar e fazer tudo muito certinho – aprender fazendo, nem pensar! Medo de arranhar a sua imagem? Pigossi diz que não é nada vaidoso, mas com um comentário aqui e outo ali, deu pra perceber que ele não faz o estilo “nem aí” para o que pensam a seu respeito. Só um exemplo: ele criou uma conta no Twitter (@marcopigossi1), apesar de não gostar de redes sociais, só porque se irrita com os perfis falsos. “Odeio qualquer coisa que digam se passando por mim”, comenta Pigossi. Incomoda-se também com todas as informações erradas que circulam na internet sobre sua carreira, como ter trabalhado em novelas do SBT e da Record. “Eles escrevem até o nome dos personagens!”, diz.
Pigossi estreou na TV em 2004, como o estudante Dráuzio da minissérie global Um Só Coração. De lá pra cá, esteve no elenco de mais uma minissérie e quatro novelas, todas na Globo. Seu primeiro papel de destaque foi o Cássio, de Caras & Bocas, um gay que ganhou as graças do público com seu jeito engraçado – era comum as pessoas gritarem pra ele na rua seus bordões, como “choquei” ou “rosa-chiclete”. Ainda assim, Pigossi não se sente famoso. Segundo ele, ninguém sabe quem é o Marco Pigossi, apenas os personagens que faz. Na época do Cássio, por exemplo, muitos pensavam que ele era gay. Na novela atual, Fina Estampa, vive o Rafa, um galã mau-caráter.
Por falar em beleza, Pigossi assume que ser bonito o ajudou a conquistar papeis: “Seria uma hipocrisia minha dizer que não abriu algumas portas”, diz o ator. Mas tem consciência de que não é a beleza que irá mantê-lo na carreira, que começou aos 13 anos, quando entrou em um curso de teatro, em São Paulo, cidade onde nasceu e mora até hoje. “A certeza de que eu seria ator veio na minha estreia, na primeira peça, que foi O Despertar da Primavera”, conta Pigossi. Ele, que nadava profissionalmente, teve que optar entre as piscinas e os palcos. Adivinhem qual foi a escolha?Em algumas horas de conversa, dá pra perceber que sua rotina gira em torno da formação como ator: pra relaxar, gosta de ler romances e peças; vai fazer aula de canto porque outro dia gravou a si próprio cantando e achou um horror, aí decidiu usar suas horas vagas para aprender a cantar, já que isso pode ajudá-lo profissionalmente. Até sua vida amorosa está em stand by – tudo pela arte!
Pigossi, que está solteiro, quase nos engana com uma frase que poderia ser bem polêmica: “estou na fase do Rafa”. Mas logo explica que é uma fase de trabalho: “ É um personagem que exige muito de mim, estou totalmente focado”. Pigossi já teve uma fase de “pegador”, na adolescência. “Coisa de moleque, de quando a brincadeira era ficar com todas”, diz ao ser questionado sobre um antigo comentário seu de que já teria ficado com 17 garotas em uma só noite. Passou. “Sou um cara tranquilo, caseiro, tive namoros longos sempre”, conta o ator. Por hora, não pretende namorar, mas não descarta a possibilidade caso se depare, por acaso, com uma garota que lhe interesse muito. Candidatas, preparem-se! Pigossi nunca namorou uma atriz e diz que prefere mulheres que façam algo bem diferente dele. “Gosto quando são coisas opostas. Uma médica, uma engenheira, uma advogada. Gosto de descobrir, sou um cara curioso”, diz. E nada de beleza óbvia, que ele descreve como sendo “a loira, de olhos claros e gostosona”. Pra ele, a mulher tem que ter um “quê”, não uma beleza comum. Entre as atrizes brasileiras, elege Alinne Moraes como a mais linda. “Sabe o que acontece comigo? Junta um pouco de admiração. Não é só a beleza. Se ela é uma boa atriz, aquilo me pega muito mais. A Alinne Moraes, eu acho lindíssima. Mas ela não é só linda, ela é extremamente talentosa”, explica Pigossi, acrescentando que a atriz tem o tal “quê” que ele procura em uma mulher.
Romântico, Pigossi é daqueles homens que abrem a porta do carro e carregam todo o peso. “Eu gosto de cuidar. Dirigir pra ela, ajudar a escolher o carro que vai comprar, fazer a revisão, consertar coisas em casa. Essas coisas que mulher não tem que fazer, entende?”, comenta. Apesar de a frase sugerir que Pigossi seja um romântico à moda antiga – até meio machista, vai...-, ele não é nada conservador quando o assunto é sexo. Não vê problema algum em transar na primeira noite. “Se der vontade, qual é o problema? Não tenho nem um pouco deste julgamento se ela vai ser fácil, se não vai ser. Tudo tem um clima e isso não dá pra mentir. Se está no clima, está no clima”, diz. Para ele, sexo não é tudo em uma relação, mas é bem importante. Se a química não rolar de primeira, sem problema. “O sexo está muito ligado à intimidade. Quando se conquista mais intimidade, depois de um tempo, é muito mais gostoso do que na primeira noite. Vai melhorando, é lógico, você vai conhecendo a pessoa e ela vai te conhecendo”, explica o ator. Suas melhores transas, conta Pigossi, sempre foram com namoradas: “transa inesquecível é intimidade”. E, pra afastar de vez qualquer dúvida sobre o conservadorismo do ator, Pigossi afirma que traições acontecem e sempre podem ser perdoadas. “As pessoas podem se encantar, podem ter novos interesses, mas tudo é conversável. Ela pode trair e ver que errou, assumir o erro e tentar consertar”, diz o ator. Pigossi conta que já foi traído - “quem nunca foi?”, pergunta. Na ocasião, ele terminou o namoro, mas porque sentiu que a traição ocorreu por haver algo errado na relação. “Se você começa a olhar para o lado é porque não tem mais tudo o que procura naquela pessoa. Aí é melhor terminar”, diz.
O ator confessa que adora estar apaixonado e já fez loucuras por amor. “Já fui para Nova York, de surpresa, passar uma noite com uma namorada no dia aniversário dela. Eu iria estrear uma peça no sábado. Fui numa quinta-feira, passei a noite com ela e voltei no dia seguinte de manhã”, lembra o ator.
Loucuras assim só com as mulheres. Quando se trata de trabalho, Pigossi leva tudo muito a sério. Ele é ator formado pelo Globe-SP e está fazendo faculdade de Cinema. “Estou tentando terminar, há 6 anos, mas preciso trancar a cada novela”, conta. Pigossi considera importante ter o ensino superior porque tem planos de fazer cursos de teatro no exterior e alguns exigem essa formação como pré-requisito. “O teatro na Inglaterra é muito interessante, um trabalho forte de voz e corpo. Depois, queria brincar com a Commedia dell'arte, na Itália. Aí já fico louco, quero ir pra Rússia pra ver a escola de Stanislavski, que criou o método mais reconhecido para atores”, conta.
Tudo isso no futuro, quando tiver um tempo entre uma novela e outra. Por enquanto, ele mal consegue um intervalo para apresentar suas peças. Atualmente, está envolvido em duas como ator e já começa uma terceira, uma comédia inglesa que será sua primeira produção. Tudo sem perder o pique de um cara de 22 anos, que gosta de correr na praia quando está no Rio e aproveitar os cinemas e teatros de São Paulo. Ah, ele mora nas duas cidades. A ponte aérea é um ótimo lugar para quem quiser encontrá-lo.
QUADRO
Foto 1: (risoto)
Ele gosta de receber em sua casa e cozinhar para os amigos. Sua especialidade é risoto “de qualquer coisa”, já que pega o que tiver na geladeira para montar o prato.
Foto 2: (All Star)
Até pouco tempo, só havia tênis All Star em seu armário. Ele tem uma coleção, de várias cores. Um deles foi comprado branco e customizado pelo ator.
Foto 3: (estante de livros)
Ler é uma das paixões do ator e livros são os presentes que mais gosta de ganhar. Em sua casa, há uma estante com mais de mil títulos.
Foto 4: (Scooter)
Pigossi herdou do pai, motoqueiro, o gosto por motos. Atualmente, enfrenta os engarrafamentos de São Paulo com sua Scooter, “que cabe em qualquer canto”